Sábado, 7 de Abril de 2007

História do Teatro

TEATRO

O vocábulo grego “Théatron” estabelece o lugar físico do espectador, "lugar onde se vai para ver". Entretanto o teatro também é o lugar onde acontece o drama frente a audiência, complemento real e imaginário que acontece no local de representação. Ele surgiu na Grécia antiga, no século IV a.C.
O teatro é uma arte em que um actor, ou conjunto de actores, interpreta uma história ou actividades, com auxílio de dramaturgos, directores e técnicos, que têm como objectivo apresentar uma situação e despertar sentimentos na audiência.
A consolidação do teatro, enquanto espectáculo, na Grécia antiga deu-se em função das manifestações em homenagem ao deus do vinho, Dionísio. A cada nova safra de uva, era realizada uma festa em agradecimento ao deus, através de procissões.
Com o passar do tempo, essas procissões, que eram conhecidas como "Ditirambos", foram ficando cada vez mais elaboradas, e surgiram os "directores de coro" (os organizadores das procissões).
Nas procissões, os participantes se embriagavam, cantavam, dançavam e apresentavam diversas cenas das peripécias de Dionísio. Em procissões urbanas, se reuniam aproximadamente vinte mil pessoas, enquanto em procissões de localidades rurais (procissões campestres), as festas eram menores.
O primeiro director de coro foi Téspis, que foi convidado pelo tirano Préstato para dirigir a procissão de Atenas. Téspis desenvolveu o uso de máscaras para representar pois, em razão do grande número de participantes, era impossível que todos escutassem os relatos, porém podiam visualizar o sentimento da cena pelas máscaras.
O "Coro" era composto pelos narradores da história, que através de representação, canções e danças, relatavam as histórias do personagem. Ele era o intermediário entre o actor e a plateia, e trazia os pensamentos e sentimentos à tona, além de trazer também a conclusão da peça. Também podia haver o "Corifeu", que era um representante do coro que se comunicava com a plateia.
Em uma dessas procissões, Téspis inovou ao subir em um "tablado" (Thymele – altar), para responder ao coro, e assim, tornou-se o primeiro respondedor de coro (hypócrites). Em razão disso, surgiram os diálogos e Téspis tornou-se o primeiro actor grego.
 in:wikipedia
 

publicado por Afonsinetes às 16:21
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Terça-feira, 3 de Abril de 2007

AO CINEMA VAI AO TEATRO



       


         


AO CINEMA VAI AO TEATRO - 1996

A máquina maravilhosa que os irmãos Lumière inventaram serviu, inicialmente, para o registo doméstico da refeição do bebé ou para a comédia ingénua do regador regado. Actores na acepção estrita do termo não os havia, nem teatrais e muito menos cinematográficos, e os próprios membros da família Lumière forneceram os seus préstimos histriónicos, naturalmente limitados.
Georges Méliès abriu novos horizontes, descobriu a trucagem e foi intérprete de inúmeras das suas películas, porém os seus actores eram meros figurantes ou, quanto muito, algumas coristas repescadas para as suas composições fanáticas, ocultando as suas formas afanadas sob maillots claros e por vezes, desnudando-se quando a qualidade literária do argumento o justificava e satisfazendo o voyeurismo do público espartilhado por estritos códigos morais.

O cinema cedo procurou (e alcançou) cartas de nobreza e o meio teatral foi o veículo privilegiado dessa nobilitação. Da corista anónima, desnudando-se por alguns francos, às grandes actrizes da Comédie Française foi, na verdade, só um passo, e a própria Sarah Bernhardt cederia ao apelo diabólico da máquina de filmar e das imagens em movimento, cada vez mais populares. O mesmo sucederia, aliás, com a grande Eleonora Duse, amante de d’Annunzio, e até com as cortesãs famosas do princípio do século como Cléo de Mérode que foram realmente as primeiras Femmes Fatales.

Hoje em dia o estilo da representação teatral do princípio do século parece-nos extremamente enfático e artificial, exagerando nos trejeitos faciais e nas atitudes, porém ele adequava-se perfeitamente ao registo cinematográfico, então ainda desprovido de qualidade sonora. As divas do cinema mudo – Lya de Putti, por exemplo -, encantaram o grande público, e o próprio António Ferro dedicou-lhes um opúsculo inflamado. Excessivamente maquilhadas, com os olhos realçados a khol, de vestidos cingidos e com decotes provocantes, tinham uma qualidade nocturna e vampiresca que se adequava às imagens luminosas e aos desejos que emergiam na penumbra das salas – e Hollywood também as assimilou, com o sucesso estrondoso de actrizes como Theda Bara.

As atitudes permaneciam enfáticas e parece que até a propaganda oficial dos estados autoritários muito bebeu no cinema mudo – dos trejeitos das vampiras cinematográficas às poses de Mussolini ou Hitler discursando, vemos uma eficaz continuidade da receita da representação teatral que encantou os nossos avós.
O rápido fulgor que o cinema conheceu em Portugal na passagem dos anos vinte para os anos trinta foi servido, naturalmente pelo meio teatral. A Lisboa de Leitão de Barros misturava actores do parque Mayer – Nascimento Fernandes ou Costinha -, com tipos populares repescados na vida da cidade e com as inevitáveis coristas, maquilhadas, cintadas e disfarçadas em varinas de andar bamboleante, em nítido contraste com as verdadeiras varinas de andar coreografado pelas necessidades do ofício. A extraordinária Beatriz Costa da Canção de Lisboa era, também ela, antiga corista, azougada e moderna na sua franja à Louise Brooks, interprete de notável talento e intuição cinematográfica, conseguindo a ultrapassagem dos preceitos da revista à portuguesa que já as tias de Vasco Santana, presas àquele receituário, não alcançaram – embora a figura de Teresa Gomes permaneça inesquecível. Beatriz Costa, António Silva e Vasco Santana serão os melhores actores de cinema gerados na revista, mas os restantes, populares no palco, já não o foram na película.



 
     
     
"É irrepetível e absolutamente efémero: isso é que é fantástico, é o mistério do teatro! Não fica nada, só a memória do público, que entretanto vai morrendo..."
in http://www.museudoteatro-ipmuseus.pt/expo15.asp

publicado por Afonsinetes às 19:22
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